17 de janeiro de 2016

Colméia em festa


Imagens Dulci Dantas e Suzana Rodrigues.

Decidimos comemorar o primeiro aniversário da nossa pequena Melina no Rio de Janeiro. Para quem não sabe, meu marido e eu somos cariocas, mas residimos no interior de São Paulo. No Rio esttá parte da nossa família e amigos de infância, adolescência e início da vida adulta. A maioria deles ainda não conhecia a nossa Mel. Então decidimos fazer uma festa de apresentação da pequena, e de comemoração do seu primeiro ano de vida fora da barriga. 


Bolo modelado com pasta americana.
Fica lindo e perfeito, mas confesso que não é o bolo mais delicioso do mundo.

Escolhi o tema "Colméia em Festa: É o aniversário da Mel!!". Ficou lindo, do jeitinho que eu queria! A decoração ficou com a querida Danielle Cardoso, que deu conta do recado maravilhosamente bem, inclusive driblando os imprevistos que sempre surgem de última hora. Super pró-ativa, tomou decisões e iniciativas das quais eu não tive conhecimento na hora, mas que resultaram em uma festa mais linda do que eu poderia desenhar.

Está na moda utilizar mobiliário de madeira, inclusive de demolição, em festas infantis.
Eu adoro o resultado. 

Inicialmente tínhamos planejado uma grande mesa retangular de madeira de demolição, com gavetas, de onde caíam flores até o chão. Mas a mesa não entrava no elevador, nem passava na escada. De última hora a Dani reorganizou tudo em mesas redondas, e eu gostei muito do resultado.O salão, presente de um casal de amigos muito amados, era enorme, todo branco e tinha três grandes portas de vidro. Para colorirmos um pouco o ambiente, e torná-lo um pouco mais aconchegante, a Dani colocou cortinas amarelas, de um tecido transparente e bem leve. E arrematou com flores. Mudou completamente o ambiente e foi um dos detalhes mais elogiados da festa. 


Cortinas para reduzir o ambiente e torná-lo mais aconchegante.
No alto, lanternas japonesas com pequenas abelhinhas simulam colméias.
E flores, muitas flores!

Uma das exigências que eu tinha para o decoração era a utilização de flores naturais. Amo flores, e acho que elas tem o poder de embelezar mais do que qualquer elemento artificial de decoração. 



Para as mesas dos convidados, eu mesma preparei vidrinhos e garrafinhas decoradas com renda e fitinhas, e a Dani providenciou as flores.

Potinho de geléia decorado com renda (presa com fita dupla face transparente)
e arrematado com fita de cetim.
Simplicidade para não roubar a beleza das flores.

O bolo de colméia foi feito a partir de uma imagem de referência que eu pesquisei na internet, e ficou simplesmente igual!!! Eram as abelinhas mais sorridentes e simpáticas que eu já vi. Mas, como comentei anteriormente, a pasta americana permite um modelamento perfeito, mas não é uma coisa deliciosa de se comer. Aliás, não tem gosto de nada. O recheio salvou, mas na próxima festa vou optar por um bolo tradicional.


Cupcakes de abelinhas felizes.

Docinhos de leite ninho.

E como a maioria dos convidados era de adultos, eu não fiz lembrancinhas para as crianças. Preparei potinhos de mel orgânico de flor de laranjeira, mel em sachet e pães de mel.

Potinhos de vidro comprados em loja de decoração de festas. Foram esterilizados em casa pelo marido, que também encheu com mel orgânico de flor de laranjeira. Enquanto isso, eu fazia o acabamento com tecido e fita de cetim. Comprei uma tesoura de picote redondo para facilitar o trabalho e dar um acabamento melhor.
Pães de mel de lembrancinha.


A festa foi linda, os amigos curtiram e nós ficamos felizes apesar de toda a correria e loucura. Para quem é mãe de primeira viagem é bom ficar sabendo que uma festa assim (e olha que nós só tínhamos cinquenta convidados) deixa a gente bem louca. E que é super normal a criança chorar, estranhar todo mundo e sair em várias fotos com bico de choro. A melhor dica que eu posso dar é: Escolha um horário que não mude demais a rotina da criança e, se possível, não faça uma festa com convidados demais e música muito alta, pois a criança se estressa demais e daí perde a graça. 

Uma outra dica legal que posso dar: Contratamos um buffet de comida salgada e bebidas que todo mundo adorou. A 2Party&Eat (aqui link do Facebook). Além das comidinhas e bebidas virem todas personalizadas com o tema da festa, eles oferecem uma opção de cardápio para bebês e crianças. A Melina e mais dois amiguinhos dela - todos bebês em fase de papinhas e comidinhas leves - tiveram um jantarzinho especial com macarrão cabelinho de anjo com creme de mandioquinha, suco de mamão com laranja e sobremesa de purê de maça com iogurte natural. Foi um sucesso e um alívio para as mães, que após a comidinha puderam ficar tranquilas e curtir um pouco mais a festa!

Esta é uma dica legal, pois é muito comum - para quem tem bebês - chegar em festas de aniversário e não ter nenhuma opção de comidinhas. A gente acaba tendo que levar um lanchinho ou fruta na bolsa. 


16 de janeiro de 2016

Espaço único


Imagem via Pinterest


São muitas saudades. Saudades do blog, saudades dos leitores, saudades das idéias, dos textos, do planejamento, dos comentários, saudades de tudo. Após um ano e meio do nascimento de minha pequena Melina, a vida continua em transformação, em adaptação e muita dedicação. O tempo continua escasso, preenchido com minhas novas responsabilidades. Mas achei uma brecha, e corri para cá. Espero correr mais vezes. Afinal, caminhamos tanto com o Lar Dulci Lar nos últimos anos, como desistir dele? Não consigo. 

Criar e demarcar e se apropriar de um espaço só seu.
Imagem Apartment Therapy via Pinterest

Escolhi a imagem desse pequeno escritório pois ele simboliza a conquista e a demarcação (literal) de um espaço importante para nós. Todo mundo precisa de um canto para si, seja para pensar, para estudar, trabalhar, se embelezar, meditar ou o que for. Depois dos filhos é fácil perder esse espaço, e permitir que tudo acabe invadido pelas crianças. Eles sabem como se espalhar, não é mesmo? 

Para mim, nunca abri mão de uma escrivaninha para chamar de "minha", para meus papéis, minhas coisas, meus momentos. Sento na cadeira e junto meus pedaços, uno minhas partes, alinho sentimentos, pensamentos, palavras. Sonho, planejo, me comunico, visualizo, me expando a partir desse pedacinho de mundo. 

Minha escrivaninha virou trocador de fraldas durante o primeiro ano de vida da Melina. Depois, ficou seis meses soterrada por uma mistura amorfa de coisas minhas e dela. Revistas, agendas, roupinhas, meias, brinquedos... virou uma terra de ninguém! Aquele que, um dia, foi o QG do Lar Dulci Lar. Agora, pouco a pouco, começo a recuperar e delimitar meu espaço, com a consciência tranquila de que Melina precisa saber respeitá-lo assim como eu reconheço e respeito o dela. 

Não importa onde você se encontra. Crie seu espaço. Você precisa dele. Se aproprie dele e recrie o mundo a partir dele.


10 de junho de 2015

Outras feminices


Espelho, espelho meu... Existe alguém mais descabelada do eu?

Estou me tornando especialista em mudança de vida. Já foram tantas vidas diferentes dentro de uma só que corro o risco de me perder nas lembranças. 

Quando engravidei da Melina eu fiquei super vaidosa, mais do que era normalmente. Acho que gerar uma menina me despertou para feminices. Comprei vestidos, usava saltos (sim, desci do salto para ir para a sala de parto), maquiagem e sem contar que o cabelo ficou maravilhoso com todos os hormônios em cena.

Depois que o bebê nasceu foi uma reviravolta. Como tive alguns problemas e dificuldades com a amamentação, fiquei totalmente em função disto por dois meses e senti como se tivesse despencado dez andares. Mal conseguia tomar um banho sossegada, o cabelo vivia preso em um rabo de cavalo, não conseguia passar nem uma base no rosto, mal conseguia escovar os dentes. Unhas abandonadas a própria sorte.  Lembro até hoje a primeira vez que me maquiei minimamente - aquela maquiagem básica para tirar a cara de quem acabou de acordar - para sair pra passear com a Melina. Parecia que eu estava voltando à vida. 

Eu adoro maquiagem e não saio de casa sem ela.
Mas fui lembrada de que ela não me define.


Até hoje - já se foram quase onze meses - ainda não consegui retomar totalmente minhas rotinas de beleza - insisto, as básicas. Ainda vivo a maior parte do tempo de rabo de cavalo. Os banhos ainda são corridos. E as roupas, esse capítulo eu prefiro deixar para um post exclusivo. Metade eu perdi, e a outra metade não tem nada a ver com estilo mãe-com-criança-a-tira-colo.


Desafio para mães com bebês pequenos: Auto-maquiagem básica em 5 minutos.

Mas o que eu descobri com tudo isso é que a gente se cobra demais. A gente se impõe rotinas - de beleza, de vestir, de comer, de comprar, de parecer - e acabamos nos confundindo com essas rotinas. Quando não podemos sustentá-las por algum motivo, por falta de tempo, dinheiro ou motivo de doença ou outro qualquer, ficamos nos sentindo mal, como se não fôssemos mais nós mesmas. Somos muito duras e intransigentes com nós mesmas.

Bijuterias e acessórios de mãe. O melhor playground para crianças que existe na face da terra.


De repente, percebi que eu continuava sendo eu mesma, meio que a contragosto confesso, ainda que de cabelo preso, sem a maquiagem, as roupas elegantes usadas para trabalhar, os saltos, as jóias e bijuterias (são poucas as que as crianças não arrancam ou quebram). De repente, aquela criatura no espelho, vestindo calça jeans, camiseta e havaianas. Em casa, cozinhando para a pequena, trocando fraldas, amamentando ou rolando no chão. Aquela pessoa tão diferente no visual era eu mesma. Mesmas idéias, mesmo potencial mas com uma nova história e novas experiências para contar. 


Perfumes mil. No começo eu evitava minhas fragâncias mais fortes por causa do bebê.
Cheguei até a esquecer de alguns perfumes!


Percebo agora que muitas das pessoas que criticam mulheres que se tornaram recém-mães pelo seu "aparente desleixo" assim o fazem porque não entendem que não se trata de desleixo. Não entendem que aquela mulher está vivendo uma fase completamente nova e diferente. Leva tempo para se ajustar. Aliás, leva tempo para se redefinir porque nada mais será como era antigamente. Você pode voltar para suas roupas, mas será outra pessoa, e isso muda tudo. 


Um cantinho para se olhar verdadeiramente... e se enxergar.

Existem muitas formas de ser feminina e o fundamental é que sejamos nós mesmas. Com maquiagem ou sem, descabeladas ou alisadas, de salto ou de pé no chão, na seda ou de camiseta. Não importa. Descobrir a mulher de verdade que existe para além de todas estas capas é uma aventura - nem sempre fácil - mas essencial.



24 de abril de 2015

O be-a-bá das papinhas - Post 2


Quero contar pra vocês sobre o que eu comprei, e o que realmente usei em matéria de utensílios, louças e babadores para meu bebê.

Hoje em dia não é nada fácil comprar itens de alimentação para um bebê, devido a variedade de marcas e itens. Há muitas coisas completamente supérfluas, e que só servem para você jogar fora o seu dinheiro. Além disso, há todo um discurso sobre materiais, formatos e outras estórias que, no final das contas, não faz diferença nenhuma. Eu lembro de um pratinho com uns bichinhos desenhados no fundo, e na embalagem dizia que os desenhos serviam para estimular o desenvolvimento da criança. Sinceramente, acho que algumas marcas forçam a barra do consumidor. Não vai ser o coelhinho que vai fazer o seu filho comer mais ou menos, pior ou melhor, convenhamos!

Você não vai precisar de muitas coisas. Para a fase inicial de amamentação, eu comprei um kit bem básico da Avent e nem usei tudo o que comprei. 

Nos primeiros seis meses

Esterilizador de mamadeiras para microondas. Comprei e usei bastante. Usei para esterilizar peças da bomba extratora de leite e, ainda hoje, uso para esterilizar potinhos para congelamento de papinhas. 


Mamadeiras. Comprei quatro unidades da marca Avent, duas grandes e duas pequenas. Usei as duas pequenas somente. Melina quase não usou mamadeira porque foi amamentada exclusivamente no peito, salvo cinco episódios que precisei me ausentar, e o pai ministrou o leite que deixei congelado em casa. Se você tem o firme propósito de amamentar seu filho no peito, não invista muito em mamadeiras. Tenha duas para emergências.  

Bomba extratora de leite. Foi fundamental na minha vida. Uma amiga me emprestou a bomba elétrica da marca Medela e é ótima. Usei intensamente nos primeiros quatro meses de vida da Melina, porque meu leite demorou para descer, depois empedrou e precisei fazer muitas massagens e retiradas de leite com a ajuda da bomba. Sem contar o leite que precisei congelar para os dias que precisei me ausentar. Item básico, fundamental, essencial e que vale cada centavo. Mas você pode alugar também. Muitos grupos de amamentação prestam este serviço.




A partir do sexto mês, com o início das papinhas


Panela com cesta para cozimento a vapor. Eu já tinha este item na minha cozinha. Utilizo bastante para cozinhar legumes no vapor para as papinhas, mas você pode usar uma panela tipo cuscuzeira, ou cozinhar os legumes na água. 

Mini processador. Eu tinha em casa um mini processador da Black&Decker que comprei para preparar temperos. Pois este pequeno eletrodoméstico tem me servido muito para preparar creme de frutas e papinhas. Por ser pequeno e possuir poucas peças torna-se muito prático de usar e rápido para lavar. 




Liquidificador. Tenho um super liquidificador com copo de vidro, que aguenta processar altas temperaturas e é ótimo para lavar, pois não fica engordurado nem com cheiro de comida. As papinhas de carne, frango e feijoadinha eu processo no liquidificador devido a temperatura (eu tiro quente da panela, processo e congelo imediatamente), a textura (a lâmina do liquidificador processa melhor as fibras da carne e do frango) e porque é mais fácil de lavar no final, sem ficar cheiro.

Copo de treinamento. Posso dizer que Melina foi do peito para o copo de transição, praticamente sem passar pela mamadeira. Comprei o da Avent mas não funcionou. O melhor copo, o que Melina aceitou com facilidade, foi o da Nuk, com bico de silicone para idade +6 meses. É caro, mas resolveu meu problema. Vou até comprar mais um. Eu não estava conseguindo fazê-la beber água. Já não é muito fácil fazer os bebês beberem água no início, com um copo que dificulta, pior ainda. Recomendo este da Nuk.



Pratos. Não comprei. Tenho potinhos de louça, que eu usava para sobremesa, nos quais cabe a porção exata que minha pequena come no almoço e jantar. Coloco sobre um pires ou prato de sobremsa para quando cair um pouco em volta. Ela já tentou pegar o prato e puxar para fazer bagunça. Mas eu a educo para não fazer isso, e ela parou de puxar. Eu costumo dar algum brinquedinho para ela segurar enquanto come. 

Colheres. Como o copo, a colher de silicone fez diferença para mim. A colher da Avent é dura e muito pequena. Comprei duas colheres de silicone da marca Girotondo que, por ser molinha, é mais fácil de colocar na boca da criança e movimentá-la, sem a preocupaçnao de machucar a gengiva. Item importante. Tente algumas até encontrar a que melhor se adapta pra você e seu bebê.

Existem algumas no mercado que acusam se a temperatura da comida está quente demais, mas eu acho isso bobagem. Eu sempre provo a comida que dou pra Melina.




Babadores. No início eu comprei um babador que a criança veste, todo feito em plástico. Parece um aventalzinho. Desastre total. A comida e os líquidos caíam e escorriam, sujando tudo e todos. Os melhores babadores são os de tecido na frente, forrados com plástico no verso. O tecido absorve o que cai, não escorre nada. E o verso de plástico impermeável não deixa a criança ficar molhada. Recomendo ter vários. Eu tinha meia-dúzia mas já providenciei mais. No início eu usava um babador por referição. Com o tempo, Melina aprendeu a comer e eu peguei o jeito, passando a sujar bem menos. 

Potinhos para congelamento de leite e papinha. Comprei um kit básico da Avent com um monte de potinhos plásticos - livres de BPA. São uns vinte potinhos, dez grandes e dez peqenos. Uso bastante, mas atualmente estou congelando algumas papinhas em potinhos de vidro. Eu realmente prefiro vidro para manipular e higienizar. 




Paninhos de prato ou jogo americano. Separei uns panos de prato coloridos para forrar a mesa e dispor o prato, a colher, o copo, os guardanapos e tudo mais. Eu literalmente coloco a mesa para a Melina, mesmo ela sendo um bebê de apenas nove meses. Acho mais fácil colocar a mesa e ter tudo a mão, e também acho importante educá-la desde sempre. Ela já está tão acostumada que não puxa o pano nem o prato. Ela já reconhece a mesa posta para o almoço e jantar, e fica dando pulinhos e jogando o corpo para a frente para comer. 

Paninhos de boca. Os tais paninhos de boca que utilizei quando Melina ainda era recém-nascida, e também por volta dos três meses - quando os bebês passam a babar muito - me servem agora para limpar a boca ou respingos de comida que caem na mesa, no meu colo ou coisa parecida. Estão meio surrados, mas continuam fazendo um belo serviço. 

Avental de cozinha. Eu sempre visto um avental de cozinha quando vou preparar as refeições e dar as papinhas para Melina. Comprei dois aventais bem bonitos, estampados. Isso ajuda a proteger minha roupa de eventuais respingos.

Cadeirão ou cadeira portátil. Resisti muito para comprar o cadeirão porque eu achava um trambolho, que iria ocupar muito espaço na minha cozinha. Dos seis ao oito meses, Melina comia sentada no meu colo, de frente para a mesa. Deu certo. Mas ela cresceu e começou a querer brincar e jogar coisas no chão. Daí achei que já era hora de sentá-la corretamente e educá-la a se comportar na mesa. Optei por um modelo de cadeira portátil da marca Cosco. Além de ter um preço mais acessível, achei mais prática. Quando dobrada - o encosto abaixa e encaixa no assento - fica bem pequena e pode ser guardada em qualquer canto. Coloco-a sobre uma das cadeiras da minha mesa de jantar. Também é fácil de limpar quando cai alguma comida ou líquido pois ela é toda fesita em plástico, sem tecido. E você ainda pode levá-la em viagens.





Esta é minha lista completa de itens que utilizo no meu dia-a-dia com a Melina. Vale ressaltar que este post não é patrocinado por nenhuma marca, que todas as minhas recomendações e indicações são resultado do uso e do bom resultado que obtive na tarefa de alimentar meu bebê.



20 de abril de 2015

Terras imaginárias


Imagem via http://ignitelight.tumblr.com/


Eu fui do oito ao oitenta. Depois de vinte anos de dedicação exclusiva aos estudos e a carreira, agora estou exclusivamente dedicada à minha família, nossa casa e vida doméstica. Se está sendo fácil? Claro que não. Mas meus valores e crenças me dizem que esse momento de vida era necessário e que, no futuro, terei mais gratidão a este momento do que sou capaz de imaginar hoje. Como tenho tanta certeza? Meu coração que falou. 

Sério, tenho pensando muito sobre esse viver nos extremos. Como se a vida fosse uma corda com duas pontas. Em um momento eu puxava de um lado, e agora puxo do outro. Ou como se a vida fosse dividida em duas terras diferentes, com uma ponte no meio. Ou você está de um lado ou do outro. Eu me pergunto: Porque não vivi as últimas duas décadas com um pouco mais de equlíbrio? Até agora encontrei três respostas somente:

Devido a origem humilde de minha família, fui educada pelos meus pais para estudar, estudar, estudar e "ser alguém" nesta vida. Com os estudos eu conseguiria uma vida melhor, melhor do que a luta diária na qual eles viviam, trabalhando muito, ganhando pouco, construindo sempre. Apesar da minha mãe me levar com ela no supermercado, me ensinar como se faziam as coisas dentro de casa, meu foco era estudar e trabalhar, pois sempre estudei & trabalhei

Devido ao fato de ter morado até os vinte e nove anos na moradia cedida pelo emprego do meu pai. Meu pai foi porteiro zelador em um edifício no Rio de Janeiro por mais de trinta anos. Cresci lá. Era a nossa casa, mas não era a nossa casa, entendem? A gente não podia reformar nem mexer muito nas coisas. Além disso, o sonho dos meus pais era a casa própria. Acho que isso impediu que nos apropriássemos daquele espaço (ainda que temporariamente). Talvez por isso eu tenha crescido sem um vínculo (ou intimidade) com decoração, apropriação e organização dos espaços. Apesar de morar naquela casa, eu precisava estudar e trabalhar para poder sair dali.

Quando meu pai se aposentou e minha família se mudou para a sonhada casa própria que virou realidade, eu não os acompanhei. Eu estava iniciando a minha carreira em Moda. Meus pais se mudaram para o nordeste e eu fiquei no Rio, viajando pelo Brasil a trabalho. Eu tinha trinta anos de idade. Dali em diante começaram as minhas andanças e viagens para trabalhar. Por mais de dez anos eu trabalhei em cidades diferentes da qual eu residia. Eu passava a maior parte do meu tempo em hotéis (por isso gosto tanto do filme Amor sem escalas). Na minha casa, no apartamento alugado que eu tinha no Rio eu só ia trocar a mala, passar uma semana ou final de semana, e embarcar novamente. Até depois de casada, morando em São José dos Campos, eu viajava para trabalhar em Santa Catarina (novamente morando em hotéis durante a semana) ou para São Paulo e pelo mundo. Sempre trabalho, trabalho, trabalho. 

Eu não cozinhava, salvo raras exceções nos finais de semana. Uma macarronada ou algo parecido. Eu não planejava compras de supermercado. Comprava frios, vinhos, comidinhas. Mas comprar arroz, feijão, saladas, frutas... tipo cesta básica? Não, nunca. Administrar a despensa? Não precisava. Se não tivesse comida, a gente saía para comer fora. 

Fazer da casa um espaço funcional e organizado, ao mesmo tempo aconchegante, agradável e criador de boas memórias? Não era assim que eu via meu espaço doméstico. Comprava coisas que eu achava bonitinhas - um edredon, um vasinho de planta, flores. Mas não era nada muito pensado. Nós estávamos em casa somente a noite. A diarista vinha, ia embora e a gente nem se via. Eu até gostava de decoração mas não sabia nem por onde começar. Foi daí que nasceu o blog, para reunir minhas pesquisas na internet sobre idéias legais para a casa. Mas a verdade é que eu não conseguia ir muito além disso. 

E, pelo que incrível que pareça, a casa sempre foi limpa e arrumada. Nunca vivemos na bagunça nem na sujeira. Mas eu não tinha intimidade com esse lado doméstico da vida. Com a chegada de Melina, veio a reforma do nosso apartamento, a pausa na minha carreira e a permanência diária dentro de casa. Senti que as coisas mudaram. Passei a organizar o dia-a-dia, planejar cardápios e as compras de supermercado (que agora, com os preços pela hora da morte, torna-se mais do que necessário), otimizei rotinas doméstcas. Encontro com a diarista duas vezes por semana. Deixou de ser diarista, tornou-se uma pessoa fundamental e parceira na nossa vida. 

Então estive refletindo a respeito desses extremos nos quais vivi. Acho que muita gente passa por isso. Dedica-se tanto ao trabalho que nunca teve tempo - ou vontade, foco ou necessidade - de saber cozinhar o próprio almoço. Aprender a pór uma mesa para que ou para quem? Criar rotinas para manter a casa funcionando e sob controle? Mais fácil deixar virar uma bagunça e depois tirar um final de semana para pôr tudo em ordem. Pior... Acredita-se que esse lado da vida é menor, menos valioso e menos interessante do que o lado "carreira-trabalho-emprego-dinheiro" da vida. 

Quando Melina nasceu, me conscientizei de que sou responsável por uma parte importante das memórias que ela terá de sua infância. Momentos, palavras, hábitos, cheiros, sabores da infância. Foi isso que me fez parar e me dedicar a construir um lar que fosse capaz de oferecer isso a ela. Se eu continuasse trabalhando, viajando e me ausentando como eu vinha fazendo antes dela nascer, eu não seria capaz de criar esse ambiente para ela e minha família. Abrir as janelas e dar bom dia sem pressa para o meu pinguinho de gente, que se espreguiça no berço. Cheiro de café e torrada pulando para despertar o dia. Cheirinho de refogado, mesa posta, um brinde para começar. Passeios no sol na pracinha. Um cochilo gostoso no meio da tarde. Um tapete aconchegante para rolar no meio das brincadeiras. Banho quentinho, pijama passado e cheiroso, colo de mãe para dormir.  Não temos pressa, não tenho que sair correndo para lugar algum. 

Tudo isso me faz pensar que, visando o melhor para o futuro dos filhos, às vezes os pais enfatizam demais um único aspecto da vida, cobrando que se dediquem quase que exclusivamente a este aspecto e deixando os demais de lado. Nessa vida quase que unilateral, é difícil até ter maturidade emocional para lidar com certas questões que pertencem ao terreno externo ao mundo do trabalho. Percebo a importância de educar os filhos para o equilíbrio. 

Indo de uma ponta a outra, encontro-me agora em outro extremo. Como seu eu tivesse atravessado a ponte e chegado nessa outra terra "família-casa-vida doméstica". Continuo dedicada a um aspecto somente e percebo a importância crucial de começar a aproximar os meus mundos, antes imaginariamente distantes. O caminho do meio ainda é o grande desafio do meu viver.