8 de abril de 2014

2 de abril de 2014

Um cantinho para suas coisas


Tudo pronto para começar o dia de maneira organizada e sem atrasos.
Imagem via HeartHome Magazine.

Eu não sei viver o dia-a-dia sem um cantinho para jogar a bolsa quando chego da rua e deixar os sapatos. Para colocar o casaco, o paletó ou a jaqueta que acabei de tirar. Aquele cantinho mágico onde você simplesmente "descarrega" o seu dia e respira aliviada a sensação de "cheguei em casa". Esse cantinho é o mesmo onde eu organizado tudo para retomar o dia seguinte. Onde eu deixo a bolsa pronta, o sapato e o casaco. Se tenho algo que preciso levar para o trabalho e não posso esquecer, é nesse cantinho que ele ficará. Tem gente que gosta de cabideiro mas eu gosto mesmo de uma cadeira, um banquinho ou um pufe. Mas, para mim, a cadeira é a melhor opção pois o encosto já funciona como cabideiro. 


Uma sacola, ecobag ou cesta de palha pode ter mil e uma utilidades ao lado da cadeira-cabideiro.
Imagem via Lolalina.



Uma almofada de oncinha ou com alguma estampa especial pode dar um charme a mais
no seu closet ou quarto. Imagem via This is Glamourous.


Na sala a cadeira também pode ser utilizada como mesa para livros.
Imagem via Paloma81.


E uma cadeira livre para você se sentar e tirar os sapatos com calma, relaxar e
 enfim chegar em casa.
Imagem sem referência.

30 de março de 2014

A ausência que seremos

Lírios em homenagem ao aniversário de 85 anos do meu pai.
Imagem Dulci Dantas


Quem segue o blog percebeu que eu andei bem sumida. Desde o ano passado tive grandes períodos de ausência, e os posts falavam mais da vida do que da casa simplesmente. Escrevi aos meus leitores comentando que muitas coisas haviam acontecido, que a vida estava me solicitando um pouco mais e que em algum momento eu escreveria a respeito compartilhando com vocês o que valia a pena ser dividido.

Em Dezembro de 2014 meu pai faleceu após quase dois anos de cama e cadeira de rodas, devido a dois AVCs (Acidente Vascular Cerebral). Desde que tudo aconteceu, toda a família ficou muito mobilizada em torno dele e se adaptando a nova realidade. Não foi nada fácil, ainda mais porque moro bem distante da minha família, que reside em João Pessoa. E então, em dezembro, poucos dias antes do Natal meu pai se foi de um ataque cardíaco fulminante. Foi uma supresa e, ao mesmo tempo, não foi. Apesar de tudo houve serenidade e paz em nossos corações.

Um aspecto importante desse episódio, e que quero compartilhar com vocês, refere-se a minha experiência da não-perda. Quando eu soube que meu pai havia morrido, meu primeiro discurso foi "Perdi meu pai". Até dei a notícia dessa forma, com estas palavras "Perdi meu pai" para algumas amigas íntimas. Mas rapidamente percebi que essa frase não era adequada, não era correta. Eu não perdi meu pai e nunca o perderei. E eu explico por que. 

Tive a benção da Vida de conviver com meu pai amado por quarenta anos. Sempre fomos muito próximos, ele me conhecia e eu a ele. Nos amávamos muito e tivemos uma relação saudável de pai e filha por quatro décadas. Ele cuidou de mim quando criança, brigamos muito quando eu era adolescente. No início da vida adulta ele me incentivou em tudo o que eu fiz, mesmo sem entender direito o que significava eu cursar uma faculdade de Sociologia ou me formar em Moda. Meu pai era uma pessoa humilde mas confiava em mim, e via algo em mim que nem eu mesma enxergava. Ele me deu limites e muitos bons exemplos de vida, de trabalho, de caráter, de perseverança, de valores. Ao ficar adulta era inevitável amá-lo e admirá-lo por tudo que ele havia sido e construído na vida. 

Quando ele se foi, muitas pessoas me disseram que Deus, a Vida, o Tempo, etc., me confortariam. Mas, na verdade, quem me confortou foi meu próprio pai. Aquele pai presente por quarenta anos da minha vida. A família era prioridade absoluta para ele. Ele trabalhava por nós, construía tudo para nós e seu tempo era conosco sempre. Foi um pai presente em todos os sentidos. E essa presença permanece em mim, no meu dia-a-dia, nas minhas escolhas, em algumas de minhas frases, na minha forma de ver o mundo e as pessoas. É como se ele estivesse sempre comigo, e essa presença sutil embora profunda me confere paz de espírito.   

Me pai me ensinou tudo que eu precisava para viver e ser feliz, não ficou faltando nada. Como posso maldizer sua partida? Saudades sim... dívidas? Nenhuma. E a sua última grande lição foi a seguinte: O melhor que um pai (e uma mãe) podem fazer por um filho ou filha é ser presente. Não falo de presença de quinze minutos, falo de presença com tempo, atenção, dedicação e mesmo no aperto ou com sofrimento e privação. Presença que permite os pais conhecerem seus filhos e os filhos conhecerem seus pais. Em tempos de ausência parental e de terceirização da infância, essa última lição me marcou profundamente e me revelou o quanto a relação com nossos pais nos define emocionalmente.

E graças a quarenta anos de excelente companhia, estou pronta para viver mais quarenta anos de saudades.



Obrigada a todos pela compreensão e carinho, e espero que essa reflexão possa ser inspiradora para alguns de vocês.
Dulci



Nota:
"A ausência que seremos", poema de Pablo Neruda que dá título ao livro de Hector Abad, o qual o autor conta a história de sua relação de amor profundo com seu pai e de como essa relação o definiu. Livro belíssimo.


29 de março de 2014

Organizando os sapatos do dia-a-dia

Imagem sem referência ou autoria.


Não sou uma mulher viciada em sapatos. Também não sou do tipo que tem centenas de pares. Quando encontro um par de sapatos (de preferência altos e abertos na frente no estilo peep toe) confortável e em uma cor bem versátil, compro sem medo. E uso, uso, uso até ficar imprestável. Daí mando consertar e uso, uso, uso... até jogar fora (morrendo de dó). Sendo assim, acabo sempre usando os mesmos três a cinco pares de sapatos no trabalho e no dia-a-dia. Dá até preguiça de guardar em caixas, tudo bonitinho, apesar de eu ter caixas plásticas para todos eles. Porque toda hora estou eu lá tirando os mesmos pares.

Daí essa idéia que estou adotando e que tem funcionado muito bem: Guardar os pares mais usados em cestos de palha, como se fossem gavetões. Podem ficar escondidos embaixo de uma cômoda, em uma prateleira ou em um canto no seu quarto. Mesmo com os sapatos aparentes, o cesto de palha dá um visual de que os sapatos estão arrumados. Diferente de quando ficam jogados ou simplesmente enfileirados em um canto. A opção da primeira foto é a minha favorita e estou usando algo parecido com isto. Recomendo.

Outra dica: Tenho uma amiga carioca que guarda a coleção de chinelos Havaianas em um cesto de palha. Fica bem charmoso!



Imagem sem referência ou autoria.

28 de março de 2014

Uma ilha cercada de carros por todos os lados

Imagem: Dulci Dantas.


Eu decidi sair do trabalho meia hora mais cedo para não pegar muito trânsito na Marginal Tiête, de volta para casa. Eu trabalho em São Paulo mas moro em São José dos Campos. Levo, em média, uma hora e meia a duas horas para chegar em casa. Essa é a minha rotina todas as terças e quintas-feiras, quando trabalho presencialmente no escritório da empresa. 

Então ontem, ao invés das 18:00h resolvi sair as 17:30h. Já tinha terminado tudo que tinha me proposto a fazer. Ao pegar a Maginal Tiête achei estranho pois todas as vias estavam paradas. A local, a intermediária e até a expressa (que de expressa não tinha absolutamente nada, com veículos a 10km por hora). Decidi ficar na via local. Se arrependimento matasse...

A volta para casa levou três horas e meia. Virou, na verdade, um pesadelo. Para onde quer que eu olhasse eu só via carros e mais carros, muitos caminhões e dúzias de motoboys rasgando o trânsito por todos os lados. Ambulâncias, polícia e viaturas penitenciárias abriam espaço (onde não existia) entre os carros com suas sirenes ensurdecedoras. Respirei fundo e de repente me deu uma sensação angustiante e claustrofóbica. Pensei: "Meu Deus! Se acontece alguma coisa aqui comigo eu não tenho como sair daqui". Estava completamente trancada entre milhares de outros carros. Aos poucos fui me encaminhando para a via expressa, que parecia andar a 20km/h. Era o melhor que tínhamos. Duas horas depois de sair do trabalho, eu finalmente chegava na rodovia. Parei em um posto para comer e ir ao banheiro, pois ainda tinha mais uma hora de estrada pela frente, no mínimo. 

O dia de ontem me chateou além da conta. Já peguei engarrafamentos assim outras vezes. Já cheguei a levar quatro horas para chegar em casa, depois de um dia de trabalho. O que realmente fez com que eu me sentisse mal foi o seguinte pensamento: "Em que momento passamos a considerar essa mobilidade truncada algo normal no dia-a-dia das cidades e das pessoas? Como foi que conseguimos normalizar a insanidade em nossas vidas?". Claro que não tenho a resposta, mas me peguei bem no meio do redemoinho. 

Uma frase que ouço muito, de muitas pessoas, é "Ainda bem que você trabalha dois dias na semana né? Imagina se fosse todo dia!". Não consigo mesmo imaginar trabalhar todos os dias em uma outra cidade, que não seja a que eu resido, ainda mais sendo uma destas cidades São Paulo. É insanidade demais. E o pior, os "apenas" dois dias estão ficando inviáveis. O que era um sonho de flexibilidade vem se transformando pouco a pouco em tortura. É uma média de 5 horas de carro por dia de trabalho em condições ótimas. De ônibus não melhora, já fiz isso durante alguns anos, quando decidi enfim comprar um carro para ir trabalhar.

Imaginem quantas coisas poderiam ser feitas neste tempo gasto no trânsito. Imaginem que deserviço fazemos à nossa saúde ficando sentados todo esse tempo, mergulhados em pura tensão. 

Era uma vez o sonho de morar em São Paulo, eu o abandonei há alguns anos atrás. Hoje, vivendo em uma cidade menor percebo que há uma vida sutil e delicada, que requer tempo e sensibilidade, que em cidades grandes e velozes parece não ser possível. Fiquei triste, pois para mim isso é o retrato do desencantamento. 

Por uma vida mais equilibrada, menos insana, mais sensível e menos aglomerada.