19 de abril de 2017

Um bom lar para toda a vida


Imagem Dulci Dantas



"E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus."  
Fabrício Carpinejar em Todo filho é pai da morte de seu pai.



Em seu belo, porém atordoante texto Todo filho é pai da morte de seu pai, Fabrício Carpinejar abraça e revela um cenário que parece ser o cotidiano de um número cada vez maior de famílias: O envelhecimento dos pais. Depois que meu pai e meus sogros envelheceram, enfraqueceram, adoeceram e ficaram acamados, descobri que quase todo mundo tem uma história parecida para contar. E, após viver essa experiência três vezes - primeiro com minha sogra, meu pai e por último meu sogro - e depois de conversar com pessoas que viveram situações semelhantes, posso dizer que tive um aprendizado especial para a minha vida. Um deles foi sobre a importância de cuidar do nosso lar até o fim e, principalmente, para que possamos ter um bom fim. 

Quando nos casamos e constituímos uma família, a casa cheira a nova. Móveis novos, pintura nova, tapetes novos. Enxoval novo. A vida passa, as décadas voam e a casa se desgasta. É normal. Algumas pessoas tem espírito "zelador", como meu pai tinha. Zelador na profissão e também na sua vida doméstica, meu pai mantinha a casa sempre impecável. Pintava todos os cômodos a cada três anos. Mandava forrar sofás que rasgavam, consertar eletrodomésticos que pifavam ou substituía-os por novos. Não era rico - longe disso - mas era muito cuidadoso e amoroso com seus pertences. Eu costumava dizer que ele era o verdadeiro "dono de casa" da nossa família. 

Essa característica do meu pai garantiu a ele um final de vida com a melhor qualidade de cuidados e habitação possível. Meu pai morreu em casa, como era seu desejo. Já acamado, só saía de casa em cadeira de rodas. Mas seu quarto era impecável. Lençóis de cama sempre cheirosos e passados. Comida boa e caseira, feita na hora. Um banheiro sempre limpo e sem o menor traço de qualquer odor desagradável. Roupas limpas, cabelo lavado, bem penteado, unhas sempre cuidadas. Mas, uma boa parte dessa condição de vida com qualidade, apesar do estado de saúde debilitado devido a um AVC, se devem aos cuidados da família e as condições de moradia que possibilitavam que os cuidados fossem exercidos adequadamente. 

Mas, infelizmente, não acontece assim com todo mundo. Com o passar do tempo e o pesar da idade, muitas famílias vão deixando de lado pequenos reparos e cuidados com a casa. Acham difícil promover uma pintura nova, não atualizam os eletrodomésticos, vão se habituando a móveis e objetos quebrados e, assim, vão levando os dias. É mais comum do que se pode imaginar, encontrar idosos vivendo em residências absolutamente precárias.

É muito difícil para aqueles que não estão vivendo situações de cuidados especiais com idosos, imaginar o quão importante é ter uma casa em dia com sua infra-estrutura, mobiliário e objetos de uso diário. O envelhecimento dos nosso familiares nem sempre é percebido em um primeiro momento. Às vezes, levamos anos para entender e aceitar que nossos familiares, de fato, estão velhos e, em muitos aspectos, incapazes de realizar certas funções e tarefas. Há cinco anos atrás escrevi a este respeito no post A Vida em Transformação. Mas, quando nos deparamos com a necessidade de instalação de equipamentos médicos e cuidados em domicilio podemos ter um choque de realidade. Pois, muitas vezes, percebemos que a casa não está em condições plenas de operar com essa nova condição de vida. 


"Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?".  Fabrício Carpinejar em Todo filho é pai da morte de seu pai.


No que diz respeito ao lar e as condições de habitação, a instalação de um homecare exige um bom funcionamento e aparelhagem da cozinha, banheiros e área de serviço. Se a casa possui uma destas áreas em mau estado, os cuidados e o trabalho de familiares e profissionais, tais como acompanhantes, cuidadores e enfermeiros, ficarão prejudicados.  

Em primeiro lugar devemos fazer a seguinte avaliação geral: A casa está em condições de habitação segura, satisfatória e higiênica para o idoso e para empregados, acompanhantes e cuidadores? A seguir apresento requisitos básicos de alguns cômodos e aspectos da casa que devem ser observados e providenciados.

O banheiro.
Verifique se o aquecimento funciona, se há um bom volume de água nas torneiras e descargas. Providencie tapetes antiderrapantes. Veja se é necessário instalar barras de segurança dentro do box. Cortinas no box são perigosas pois são um falso ponto de apoio. Dependendo da condição de saúde, talvez seja necessário remover o box, para que a cadeira de banho possa ser movimentada dentro do banheiro.
Observe em que condições estão os objetos e produtos de toalete do idoso. Toalhas, pentes, tesouras, cortadores de unhas, lixas, barbeadores, secador de cabelo, saboneteira, shampoos, cremes hidratantes, cremes dentais. Na contratação de um cuidador, ele solicitará todos estes itens. Muitas vezes, os filhos precisam ir correndo na farmácia fazer uma compra de higiene básica para que o cuidador possa trabalhar, sobretudo quando os pais, muito velhinhos, moram sozinhos há muitos anos. 

A cozinha.
Verifique se a geladeira está em condições ideais de manter a comida preservada para que não haja  risco de contaminações. Para uma pessoa idosa ou doente, uma intoxicação alimentar pode ser fatal. É possível reservar uma prateleira da geladeira para a alimentação especial do idoso, evitando assim que potes sejam abertos ou mexidos por engano.
Verifique o estado geral do fogão, se todas as bocas funcionam. Forno de microondas e liquidificador são eletrodomésticos importantes para dietas líquidas ou sopas, muito frequente na dieta de idosos. Bem como uma boa e segura panela de pressão - justamente para cozinhar sopas com maior eficiência e rapidez. Um jogo de panelas básicas e alguns potes para armazenar comida na geladeira, preferencialmente de vidro, pois são mais fáceis de serem higienizados. Uma bandeja para alimentação na cama, se for o caso. Uma louça simples mas adequada ao tipo de alimentação que o estado de saúde exige, como um prato fundo para sopas, potes, canecas fáceis de ser seguradas por mãos frágeis e enfraquecidas. Guardanapos que possam servir de babador e jogos americanos são muito úteis.

Abastecimento de água.
Verifique a origem da água que se ingere na casa. Verifique se os filtros são limpos com frequência, ou os aparelhos onde são acondicionados garrafões. Estes últimos costumam acumular poeira no seu interior.
Uma moringa para água é essencial. Tenha uma daquelas cujo copo serve de tampa, mantendo a garrafa sempre fechada. São muito úteis para se deixar próximo ao idoso, pois nessa fase da vida é comum perder a sensibilidade para a sensação de sede. É preciso oferecer água com frequência, e com a garrafa por perto evita-se o esquecimento e a desidratação.

Área de serviço.
Um cômodo de extrema importância, pois com pessoas idosas ou doentes, sobretudo se acamadas, há uma rotina de faxina além de lavanderia e passadoria de lençóis, fronhas, todo tipo de toalhas e panos de limpeza. Por isso, tente manter a área de serviço destralhada, com espaço livre para trânsito e para um bom desempenho das tarefas necessárias.
Uma máquina de lavar roupas eficiente e em bom estado é imprescindível, bem como um varal e um tanque, este último para deixar roupas e panos de limpeza de molho. As vezes que presenciei o uso mais intenso de uma máquina de lavar roupas em uma casa coincidiram justamente com os extremos da vida: Com o nascimento de um bebê, e com uma pessoa idosa no fim da vida. Acreditem em mim.

O lixo.
Tenha de duas a três latas de lixo médias com tampa. Evite latas de lixo pequenas porque elas não dão conta do recado, além de deixar escapar odores desagradáveis e exigir que sejam trocadas várias vezes ao dia. Uma para o lixo orgânico da cozinha, outro para recicláveis e, se o idoso utilizar fraldas geriátricas, tenha uma lata de lixo somente para este fim, com sacos plásticos em tamanho suficiente para acondicioná-las, bem como lenços umedecidos, papel higiênico e demais materiais descartáveis utilizados para a higiene da pessoa.
Se houver utilização de material médico como sondas e seringas, por exemplo, é necessário um descarte especial. Informe-se como descartar esse material corretamente para não ocorrer contaminação e acidentes com as pessoas que manuseiam o lixo, como a própria família, a empregada ou diarista, os cuidadores e empregados do prédio e lixeiros.
E ainda, certifique-se de ter uma rotina eficiente de saída do lixo, para que não se transforme em um bota-fora contínuo durante o dia e a noite. 

A faxina.
Verifique o arsenal de faxina da casa. Vassouras, rodos, panos de chão, pás, baldes, bacias, prendedores de roupas e produtos de limpeza. A rotina de uma casa onde reside um idoso acamado não combina com sujeira nem desorganização. É preciso ter condições de realizar uma boa limpeza  na casa. 


Em suma, idosos deveriam residir em lares em boas condições de limpeza, infra-estrutura e funcionamento. Mas, infelizmente, nem sempre isso acontece. Muitos idosos passam a residir sozinhos, às vezes sem uma empregada ou diariarista sequer que os auxiliem com faxina e cuidados com a roupa. Nem sempre os filhos são tão presentes como gostariam ou deveriam, devido a atribulada vida de nossos tempos. Ou porque lidar com a velhice dos pais é muito difícil. Ou ainda, porque os pais são teimosos e não aceitam nenhum tipo de interferência na casa, o que é normal, uma forma de tentar manter a autoridade e poder sobre a própria vida até o último minuto possível. Por todos estes motivos, e outros tantos, a residência de pessoas idosas e suas condições de vida podem se tornar muito precárias na reta final, prejudicando enormemente a qualidade dos cuidados necessários. 

Que esta troca de experiência sirva de inspiração - e força - para aqueles que, nesse momento, trocaram de lugar com seus pais, sogros e avós. Aqueles que, sendo jovens, cuidarão de seus velhos. E que o lar continue sendo acolhedor e seguro em todas as fases da vida.



*Este post é dedicado com carinho para minha querida Lucie, meu amado pai Cesário, meu adorado sogro Stephan e meu tio Germano... pela riqueza da convivência e por terem proporcionado preciosas lições de vida até o último momento.



17 de abril de 2017

Sobre estar presente


Com Melina aprendi a ser presente.
Imagem Dulci Dantas


Um dos hábitos mentais que mais me rouba energia e me faz sofrer é a falta de presença. É como se meus pés ocupassem um lugar e a minha cabeça estivesse muito longe dali. Levou um bom tempo para eu perceber como minha mente sempre habitava um lugar diferente daquele que meu corpo ocupava espacialmente. Na verdade, foi graças a um outro ser humano que eu pude  perceber essa desconexão entre corpo (presente) e mente (ausente). Depois disso, constatei com muito choque que passei anos andando por aí sem sequer ver as pessoas que cruzavam meu caminho. 

Com a chegada de Melina em minha vida fui chamada a estar presente - de corpo, coração e mente - o tempo todo. No começo foi muito cansativo e desgastante. Minha mente queria sair correndo o tempo todo, mas meu corpo estava sendo convocado a desempenhar tarefas dentro de um raio muito curto e limitado. Eu, tão acostumada a viajar pelo mundo e com tantas distrações disponíveis para minha mente, estava agora enraizada em casa, com um bebê que solicitava toda minha atenção e foco, por nada menos do que vinte e quatro horas por dia. 

Certa vez, conversando com minha professora de yoga, comentei com ela que, apesar de não conseguir fazer a prática por causa da incompatibilidade de horários, nunca na vida eu tinha praticado o "estar no momento presente" com tanto afinco. 

O processo todo foi - e às vezes ainda é - muito doloroso, porém revelador. Consegui perceber que, parte dos devaneios da minha mente se deviam a cobranças que eu criei para minha própria vida. Se eu estava no fogão cozinhando, a minha cabeça saía correndo para um lugar imaginário onde eu deveria estar trabalhando e ganhando dinheiro, pois eu disse a mim mesma - e acreditei com firmeza - que isso era abandonar "tudo", minha carreira. Se eu estava na pracinha empurrando o balanço, minha cabeça começava a me atormentar porque eu não estava no salão fazendo as unhas, porque eu repetia para mim mesma, com insistência, que eu tinha que estar apresentável o tempo todo, para todos. E se eu estava trocando fraldas, dando banho, arrumando, lavando... minha mente me dizia que eu deveria estar lendo livros. E se eu estava acordada, ela me dizia que eu deveria estar dormindo. E quando eu me deitava para dormir, ela insistentemente me dizia que eu estava jogando tempo precioso fora, deveria ir para algum outro lugar, fazer alguma outra coisa. E assim era a todo instante, em cada lugar que eu punha meus pés, minha cabeça se recusava a aceitar e queria sair dali para outro canto.  


O céu que nos protege.
Imagem Dulci Dantas


Com o passar do tempo, ao longo de mais de dois anos de prática, aprendi a ficar onde meus pés estavam. E foi um assombro enorme, pois nesse dia eu vi o céu, árvores, nuvens, pessoas, "bons dias", uma cidade inteira. De repente uma vida que estava acontecendo ali, bem na minha frente, com olhos vivos e sorriso de dentes de leite. E eu, apesar de todas as infinitas possibilidades, lugares e informações acessíveis, estava apenas aonde meus pés se plantavam, respirando e vivendo. 


10 de abril de 2017

Coelhinho da Páscoa

"Que trazes pra mim?"
Imagens Dulci Dantas 


Na Páscoa do ano passado, minha filha tinha apenas um ano e oito meses de idade. Não seria exatamente uma Páscoa recheada de chocolates, embora ela tenha, pela primeira vez, experimentado dois pequenos ovinhos (essa foi a cota estipulada por nós). Mesmo assim, eu queria criar algo que permitisse a ela comemorar a data festiva. Mas o que fazer para um bebê curtir a Páscoa sem se empanturrar de chocolate?


Siga as pegadas!
Imagem Dulci Dantas


Vi esta idéia em uma revista - cujo nome não me recordo mais, e decidi eu mesma produzir a brincadeira. Foi muito simples. Na véspera da Páscoa, a noite, eu deixei tudo pronto em apenas duas horas. Pela manhã, quando ela acordou e viu as pegadas de coelho pela casa, foi logo tratando de segui-las até chegar na caixa-coelho. Teve a maior surpresa! Ela vasculhou a caixa até conseguir tirar os três balões lá de dentro, e passou o resto do dia brincando com a caixa e os balões. 


Desenhe os olhinhos, os bigodes e a boca com os dentões. Tenha um pouco de paciência ao fazer o recorte da boca. Pode desenhar o nariz ou colar um triângulo feito de cartolina cor-de-rosa.
Você decide como desenhar a carinha do coelho.
Imagem Dulci Dantas



Cole um pedaço da cartolina cor-de-rosa dentro da folha de cada orelha. Se quiser, pode fazer duas pequenas dobras na base das orelhas para dar volume a elas, como eu fiz.
Imagem Dulci Dantas


Para fazer essa brincadeira você vai precisar do material abaixo:

* 01 caixa de papelão (você pode conseguir uma gratuitamente em supermercados e quitandas);
* 02 a 03 folhas de cartolina branca, vai depender do tamanho da caixa que você vai forrar;
* 01 cartolina cor-de-rosa para fazer o interior das orelhas e o nariz;
* 01 caneta pilot de ponta grossa ou tipo "atômico";
* 03 balões nas cores "Azul, Amarelo e Vermelho também"
* Tesoura ou estilete;
* Cola branca para papel;
* As pegadas de coelho eu comprei em uma loja de artigos para festas. Elas são auto-adesivas. Aqui em São José dos Campos eu achei na loja Catavento.


Certifique-se que a caixa tem um tamanho bom para acomodar os três balões dentro dela.
E a abertura da boca deve ser generosa para que os balões passem sem estourar. Para isso, não encha demais os balões.
Imagem Dulci Dantas


Não se preocupe se a forração da caixa ou o traço do desenho não estiverem perfeitos. O meu coelho não estava! A lateral da caixa que eu forrei deu algumas bolhas, porque usei cola demais. E um dos bigodes ficou com traço meio borrado, mas nada disso teve importância. Eu garanto que as crianças nem reparam nestes detalhes. Não deixe de tentar fazer a brincadeira porque você acha que não sabe desenhar ou por puro perfeccionismo. O que vale é o amor e a dedicação. Isso sim, nossas crianças percebem e amam.

Feliz Páscoa!!!


24 de março de 2017

Mudando dos pés a cabeça

Dá pra manter o charme e um pouquinho de glamour na pracinha, ainda que nos pés.
Imagem Dulci Dantas


No post Adaptando e Reduzindo o Closet, eu falei sobre como a minha opção por deixar o trabalho para cuidar da minha filha em período integral impactou o meu estilo de vestir. Mas confesso a vocês que onde eu primeiro senti a necessidade de mudança foi nos pés, quero dizer, nos sapatos. 

Quando me tornei mãe, passeava diariamente empurrando o carrinho pelas ruas até a pracinha. Voltei a andar a pé, prática que eu havia abandonado aqui em São José dos Campos, pois só andava de carro. Então optei por usar sapatilhas e, no máximo, um salto estilo anabela. Depois que o bebê "desceu do carrinho", eu "desci do salto". Logo eu, que usei salto até para ir para a maternidade.  Eu estranhei. Meu marido estranhou também, porque estava muito acostumado a me ver sempre encima de saltos, tanto para trabalhar como para passear. Mas como eu ia correr atrás da criança, quando ela disparava pela pracinha ou pela rua? Como eu ia entrar no parquinho de areia? Caminhar pela grama com a pequena? E carregar os doze quilos no colo na volta para casa? 

Sou daquelas mães que leva a criança para passear e deixo ela brincar, se sujar, rolar. Fico desesperada quando vejo uma mãe ou um pai levar a criança no parquinho, e dizer para ela com voz brava: "Não pisa na areia para não sujar o seu sapato!". Ué? Porque levou a criança então? Para olhar as outras brincando? Como é possível pisar na areia e impedi-la de entrar nos sapatos?

Por esses motivos todos precisei adaptar meus pisantes. Os passeios mais gostosos com a Melina eram, e continuam sendo, ao ar livre, em parques, jardins, pracinhas e praias. Quase não frequento o shopping com ela. Foi uma verdadeira mudança de cenário na minha vida. Eu, tão urbana, passei a frequentar a natureza. E, com isso, troquei de sapatos literalmente. Decidi que era hora de me adaptar a esta nova fase da vida - na mente, no corpo, no closet e na sapateira, para então curtir bons momentos junto com minha Melina.

Eu não curto tênis. Para mim é um calçado para academia e atividades esportivas. Nunca me sinto arrumada de tênis, e acho que ele me engorda porque encurta minhas pernas. Apesar de ser carioca, gosto de chinelos só para ir a praia, piscina ou em casa. Rasteirinhas, para mim, são como Havaianas. Então o jeito foi optar pela sapatilha. Primeiro, eu destruí uma sapatilha linda indo a pracinha. De tanto pisar na areia, na grama, na lama... a sapatilha se foi. Um dia, por acaso, vi uma sapatilha da Melissa que era, ao mesmo tempo, prática, resistente, confortável e charmosa. Depois das aventuras com a pequena Melina, era só chegar em casa e enfiar a sapatilha dentro do tanque e jogar água. Ficava novinha em folha!


Dupla dinâmica: Crocs e Melissa. Prontas para o que der e vier.
#melinaandme #nósduas #semprejuntas
Imagem Dulci Dantas

Com a pequena não foi diferente. Precisei penar um pouco até descobrir que os sapatos perfeitos para Melina são um par de Crocs, para as atividades mais radicais, e uma Melissinha para os momentos menininha, com possibilidade de sapequices. A idéia é exatamente a mesma da sapatilha. Quando ficam muito sujos, jogo no tanque e escovo com sabão de côco e logo ficam prontos para o próximo passeio. Além de fáceis de limpar, tanto o Crocs como a Melissinha são fáceis de colocar e tirar, e a pequena já sabe calçá-los sozinha, apesar da preguiça. Para os dias de chuva, Melina tem uma galocha Crocs, que enfrenta qualquer poça de água ou de lama. Ela se diverte, e eu não esquento a cabeça.


Carnaval das meninas com muito confete e conforto.
Imagem Dulci Dantas


Com essa pequena mudança de estilo eu relaxei muito na hora de sair. Parei de sofrer cada vez que sujava e estragava um sapato de tanto pisar na terra, na água e no mato. Também me libertei da ansiedade, e da conta, de comprar um monte de sapatos para Melina, todos tão fofos mas tão caros! Na verdade, a criança usa muito esses sapatos tipo Crocs e Melissa para brincar. Aqueles outros lindos, tanto tênis caros como os sapatos de festa, acabam sendo usados pouquíssimo, e logo são perdidos porque os pézinhos não páram de crescer. Além de simplificar a sapateira, minha e de Melina, descompliquei também a hora de sairmos de casa, sobrando mais tempo e bom-humor para curtimos nossa vida juntas. 


22 de março de 2017

Organizando bichinhos de pelúcia


Essa é a turma da pesada aqui de casa. Mamãe Dulci arrumou a turma para a foto oficial.
Imagem Dulci Dantas


Na semana passada eu contei para vocês como eu organizo a estante de brinquedos da minha filha, no post Como Organizar Brinquedos. Agora quero mostrar para vocês onde ficam os bichos de pelúcia. Toda criança tem bichos de pelúcia. O tempo passa e os brinquedos se modernizam, mas os bichos de pelúcia permanecem os mesmos em tipo, cores e volume. Quem tem criança em casa, tem um monte deles, gostando ou não. Aparentemente é fácil mantê-los em ordem, mas no dia-a-dia vemos que a rotina é bem outra. As revistas de decoração sempre mostram os bichinhos lindamente organizados em prateleiras, estantes ou nichos. Mas, para mim, não funciona. É mais um daqueles casos de descolamento da vida real e da vida nas revistas. Se a sua criança brinca com os bichinhos, assim como a minha brinca todo santo dia (dizendo "Mãe! Ele é tão fofo!"), precisamos então de um esquema prático e acessível para arrumá-los e guardá-los.

O quarto que, hoje, nossa filha ocupa era o escritório-estúdio do marido antes dela nascer. Com centenas de livros, equipamentos e instrumentos. Mas, com a gravidez e a reforma do apartamento para receber Melina, o marido foi despejado desse quarto para um escritório bem menor no que originalmente seria o quarto de empregada do apartamento. Contudo, alguns estojos de guitarra ficaram de fora, e o jeito foi mesmo deixá-los no quarto do bebê. No começo, nenhum problema. A medida que o bebê foi virando criança, e os bichos de pelúcia começaram a bater na porta aqui de casa, decidi adotar os estojos das guitarras como uma espécie de arquibancada para os novos agregados. Sabe que deu certo?


Vida longa ao rock n'roll! A turma já está na arquibanca de estojos, pronta para o show!
Imagem Dulci Dantas

Na foto acima vocês podem ver que os estojos têm um ar retrô, o que me agradou bastante. O bichinhos ficam assim mesmo como vocês estão vendo. Meio juntos, meio amontoados. Há, inevitavelmente, aqueles dias que eles estão bagunçados mesmo, mas sempre na arquibancada. Melina entendeu, desde cedo, que aí é o lugar deles. Ela tem pleno acesso para tirá-los e empilhá-los do jeito que quiser. Afinal, o quarto é dela e os brinquedos também. Vez por outra, eu dou uma ajeitada neles, arrumo um vestido, penteio um cachorrinho, resgato um ou outro que estavam soterrados.

E, para a nossa conversa ser bem franca, é importante dizer que é possível organizar a casa com crianças dentro de certas limitações. A gente precisa aceitar que não vai ficar com cara de revista o tempo todo, e tudo bem. Às vezes precisamos trabalhar a tolerância e o senso de realidade dentro de nós, os pais, e reduzir nossas ansiedades e expectativas nesse quesito. A foto que vou mostrar a seguir é do mesmo ambiente, só que dessa vez arrumado pela Melina. Não me importo muito que os bichinhos não estejam na sua melhor apresentação, mas o fato dela saber, com menos de três anos, o lugar de guardá-los e, efetivamente, colocá-los lá (ainda que meio atropelados), para mim é suficiente para a fase da vida em que ela está. 

Bichinhos de pelúcia "arrumados e organizados" pela Melina, aos dois anos e oito meses de idade.
Esta foto foi tirada exatamente uma semana depois das fotos que abrem este post, onde eu tinha arrumado os bichinhos. Para mostrar para vocês que organização para crianças é uma questão de educação - planejamento, rotina e aperfeiçoamento. Uma hora eles chegam lá!
Imagem Dulci Dantas


Em um outro post que escrevi, entitulado A organização no cotidiano de grandes e pequenos, publiquei a foto abaixo com uma proposta de organização de bichinhos de pelúcia bem similar a que adotei aqui em casa. Você pode produzir um móvel como este a partir de uma gaveta de cômoda, acrescentando pés de madeira, ou rodinhas, e pintando com uma cor graciosa que combine com o quarto. 




Observe bem este móvel. Parece ter sido feito a partir de uma gaveta de cômoda. Que tal tentar esse projeto?
Imagem via Pinterest.


Um pouco diferente do proposto por ambientes ultra decorados e controlados, que vemos em algumas revistas e blogs de decoração, lidar com a realidade de uma casa que têm crianças, considerando a dinâmica de suas brincadeiras, pode exigir que sejamos mais simples, práticos, criativos, bem como pacientes e tolerantes. Mas não menos lúdicos e organizados.